A Cabeça de Steve Jobs, de Quem Não Vive no Mundo Mac
Acabo de ler o livro A Cabeça de Steve Jobs e para não perder os mais interessantes achados no livro estou aqui registrando-os. Primeiro, o que não gostei.
Não gostei muito da organização do livro. A tentativa do autor, Leander Kahney, de dividir em capítulos por tema resultou em uma certa bagunça. Sabe aquele tipo de escrita que tem muito: “Daqui a pouco falaremos mais disso”? Quase que o único capítulo que segue seu título é o último, o oitavo: “Controle Total – A obra toda”. Aliás, o melhor dos capítulos na minha opnião. O mais esclarecedor do porquê das decisões do Steve.
Ilustrações! Faltou. Durante a leitura senti extrema falta de figuras. É como se o livro fosse escrito somente para quem acompanhou toda a trajetória dos Macs. Pra quem sabe que o Mac tinha o botão de desligar na parte de trás. Para quem acompanhou todas as propagandas “Pense Diferente (Think Different)”. Às vezes tive que recorrer ao YouTube e a figuras na web.
E por falar das propagandas, não parecem tão boas assim. Claro, tem muito a ver com a cultura em que estou inserido. Mas na minha opnião existem propagandas infinitamente melhores aqui no Brasil. Essa parte foi a que mais achei fanatismo dos “Mac-maníacos” juntamente com o ovacionismo nas Macworld’s quando Steve diz: “E tem mais…”.
Inventividade? Nada! Steve, de acordo com o livro, é um “escolhedor”. O que ele faz de melhor é escolher e rejeitar as melhores e piores idéias dos seus colaboradores, para logo depois achá-las uma ótima idéia, com a mínima ou sequer nenhuma alteração. O grande detalhe está no processo de simplificação. Steve rejeitou o nome iPod antes de aceitá-lo.
Steve também “rouba” idéias, como foi o caso da GUI que copiou da Xerox. Não estou condenando. O livro te aconselha a fazer o mesmo! A Xerox não saberia o que fazer com aquilo na época. Ela vendia máquinas de copiar.
Além de escolhedor, é um caçador de talentos. Sempre contrata e mantém os melhores a sua volta. Essa é uma cultura que grande parte dos brasileiros empreendedores não possuem. Talvez seja essa história do jeitinho brasileiro, sempre tentando tapar buraco. Não é possível ser o melhor sem os melhores, nisso eu acredito.
Para manter estes talentos na Apple ele distribui opções de compra de ações, por valores baixos. Quando o funcionário resolve comprar ou vender as ações elas valem mais do que eles pagaram por elas. Isso mantém qualquer um motivado, e inventivo. Não tenho notícias dessa cultura na área de TI aqui no Brasil, mesmo que seja na forma de PLR.
Steve também é um aficcionado por perfeição. Não há como negar que iPod e iPhone são perfeitos demais para a maioria dos usuários. O acabamento é muito bem feito. Duvida? Então vejamos. Responda a seguinte pergunta: “Quantas vezes comprou um produto e abriu a caixa observando cada efeito desde a luminosidade, efeitos, o porquê das fontes na embalagem, dobras das abas até, enfim, visualizar o produto?” É, isso mesmo, até a embalagem do equipamento é pensada neste nível de detalhes. Veja a cerimônia desta “unboxing” neste vídeo (como é chamado a abertura da embalagem). O mais interessante é que ao chegar ao iPhone, ele coloca-o de lado. Algum brasileiro faz isso?
Aliás, tudo que roda o mundo Mac parece ter uma certa diferença. Só de curiosidade, passe em uma banca de revista e veja a capa da Mac+ número 38. Acredite, esta foto aqui ao lado não tem nada a ver com olhá-la em suas mãos. 
Confesso que discordei de grande parte do livro até ler o último capítulo. Nele, muita coisa fez sentido para um usuário de Linux e Windows. Há uma explicação interessante dos modelos vertical e horizontal de distribuição de equipamentos. Steve, desde que fundou a Apple, segue o modelo vertical.
No modelo vertical a distribuição contempla o conjunto: hardware, software e serviços, ou seja, a solução completa. O iPod por exemplo não é somente o aparelho. É o conjunto: aparelho, software e loja iTunes. E isso vai contra o que aconteceu nos últimos 30 anos. Buscou-se uma comoditização/generalização do hardware, e algumas empresas focaram em hardware (Intel, AMD), outras em software (Microsoft) e outros ainda em serviços para as plataformas.
Ser o dono de tudo facilita muito a distribuição e reduz drasticamente a quantidade de erros de integração. A Microsoft demorou mais copiou isso, com o Zune e o XBox. E aparentemente o mundo está girando a favor da Apple neste sentido. O autor se refere a isso como se Steve estivesse à frente do seu tempo, cerca de trinta anos. Não estou certo disso.
Mas isto está virando resumo do livro! Vou deixar a idéia solta, para sobrar vontade de ler o livro! Há muito mais do que o escrito aqui! Hummm, nem falei da obsessão pelo segredo até o lançamento, o formato das lojas de varejo, …